domingo, 1 de abril de 2012

1998


Dossiês, Crise e Monica Lewinsky





A oposição fala em contas no exterior, a crise econômica mundial avança e Clinton fuma charutos

“Os catastrofistas devem pôr as barbas de molho - 98 será melhor que 97.”
Fernando Henrique Cardoso, presidente da República.

 “São farsantes, falsários e pessoas que o Brasil custou a expulsar da vida pública.”
Fernando Henrique Cardoso, referindo-se aos responsáveis pelo dossiê que lhe atribuiu a sociedade de uma empresa nas Ilhas Cayman.

“Pode ser ‘c’ de cebola.”
Mário Covas
, governador de São Paulo, negando que o “c” da empresa CH, J & T, citada no dossiê, se referisse à inicial do seu sobrenome.

“Em menos de quatro anos, Fernando Henrique fez praticamente o mesmo que Margaret Thatcher, na Grã-Bretanha, levou aproximadamente doze anos para fazer.”
The Economist
, revista inglesa.

“É a primeira vez que o FMI vem ao Brasil e embarca de volta sem ter tido a necessidade de puxar a orelha de ninguém.”
Stanley Fischer, diretor adjunto do FMI, depois da visita ao Brasil.

“Sempre imagino Fernando Henrique de manhã fazendo a barba, se olhando e beijando o próprio rosto no espelho do banheiro.”
Roberto Requião, senador peemedebista, ironizando a vaidade de FHC.

“Outro dia, eu fui a um supermercado e vi pacotes de carvão para churrasco. Sabe de onde vinham? Dos Estados Unidos. Estamos importando madeira queimada.”
Karlos Rischbieter, ex-ministro da Fazenda, criticando a política de abertura às importações do governo FHC.

“O ano que vem será muito ruim.”
Pedro Malan, ministro da Fazenda, sobre os compromissos assumidos com o FMI.

 “Nem a prostituição tem retorno maior que a taxa de juros atual.”
Stefan Salej, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais.

“Eu sou o melhor candidato de partida, mas o pior na chegada.”
Luís Inácio Lula da Silva,
candidato derrotado do PT à Presidência da República.

“Minha filha, se eu lhe der uma carta dessas, você não vai conseguir trabalho em lugar nenhum.” Idem, respondendo à eleitora que lhe pedia uma carta de recomendação.

“O cargo de presidente é espinhoso. Ele tem de passar por coisas desagradáveis, como, por exemplo, se obrigar a receber o Maluf.”
Mário Covas, governador de São Paulo.

“Os moradores do Cingapura ficam contentes porque se sentem em Genève.”
Paulo Maluf, candidato derrotado do PPB ao governo de São Paulo, sobre o seu projeto de moradia para favelados.

“Ao ver bandeirinhas do Partido Verde tremulando, gente gritando slogan, persegue-me num canto da mente a frase de minha filha: ‘Que mico, papai’.” Fernando Gabeira, deputado federal pelo PV-RJ.

“Eu gosto que me carreguem, eu gosto de ver o povo gritando meu nome, eu gosto é do poder.”
Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado.

“Posso dizer que sou um poliglota.”
Zeca do PT, governador eleito de Mato Grosso do Sul, que fala o tupi-guarani.

“Fiz a reforma da Previdência para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos em um país de pobres e miseráveis.”
FHC, defendendo a reforma da Previdência.

“FHC já bateu nos aposentados e nas mulheres. As crianças que se cuidem!”
Walter Pinheiro, deputado federal (PT-BA).

“Temos que fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Combina uma reunião para fechar o esquema. Vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer.”
Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, em telefonema ao presidente do BNDES, André Lara Resende, referindo-se ao consórcio do banco Opportunity com a Telecom Italia no leilão das teles.

“Estamos no limite da nossa irresponsabilidade.”
Ricardo Sérgio de Oliveira, então diretor do Banco do Brasil, sobre a concessão de fiança no leilão das teles, em conversa grampeada com Mendonça de Barros.

“O mal é presença ubíqua e poderosa.”
Persio Arida, sócio do Opportunity, sobre as gravações de suas conversas com Mendonça de Barros.

“Vá lá e negocia, joga o preço para baixo. Depois, na hora, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite.”
André Lara Resende, para Persio Arida.

“Eu lhe digo do fundo do coração. Eu, se fosse Vossa Excelência, renunciava.”
Pedro Simon, senador (PMDB-RS), a Mendonça de Barros, no Senado.

“Tenho as minhas tristezas com o presidente, não mágoas. Mas um dia Deus vai permitir que nós dois nos sentemos num meio-fio da vida, em qualquer lugar, e vamos desabafar.”
Itamar Franco, ex-presidente da República e governador eleito de Minas Gerais.

 “Por que meu filho, e não eu?”
Antonio Carlos Magalhães, senador (PFL-BA), sobre a morte do deputado Luís Eduardo Magalhães.

“O Robocop voltou.”
Sergio Motta, ministro das Comunicações, três semanas antes de sua morte.

“O pau comia mesmo. Quem falar que não havia tortura é um idiota.”
Marcelo Paixão de Araújo, ex-tenente do Exército, confessando em entrevista a VEJA como torturou cerca de trinta presos nos porões da ditadura.

“Eu falsifico mesmo.”
Sérgio Naya, deputado federal, posteriormente cassado, revelando como fraudava licitações públicas, em vídeo exibido na TV.

“O cabeça de tudo foi a barriga.”
Manoel Benedito da Silva, agricultor, justificando saque em Pernambuco.

Pecado Capital

“Bill Clinton age como um caipira deslumbrado com a cidade grande. Ele fica perseguindo umas mulherzinhas que em Washington os políticos com um mínimo de compostura ignoram.”
Norman Mailer, escritor americano.

“O último boato é que Monica Lewinsky teve uma relação imprópria com um charuto de Clinton.”
Jay Leno, humorista americano.

“Talvez terminem por dizer: perdoamos tudo, mas não o fato de ela estar de joelhos debaixo da mesa durante um telefonema. O trabalho é sagrado.”
Dario Fo, dramaturgo italiano, sobre o caso Lewinsky.

“Se não houvesse mentira, não haveria sexo.”
Jerry Seinfeld, comediante americano, sobre o escândalo Clinton-Monica Lewinsky.

“Querida, você não vai acreditar no que os jornais estão dizendo.”
Bill Clinton, segundo Hillary Clinton, que diz só ter sabido do caso com Monica Lewinsky quando o presidente a acordou com um jornal debaixo do braço.

“Meu marido é vítima de uma ampla conspiração de extrema-direita que o persegue desde que se lançou candidato a presidente.”
Hillary Clinton, defendendo o marido.

“Eu seria uma espécie de secretária assistente do presidente para o sexo oral.”
Monica Lewinsky, em conversa telefônica com a amiga Linda Tripp, gravada e entregue ao promotor Kenneth Starr.

“Só costumo lavar uma roupa usada quando pretendo usá-la de novo.”
Idem, explicando por que guardou o vestido manchado com sêmen do presidente.

“Este é um trabalho asqueroso, que alguém tem de fazer.” Henry Hyde, presidente da Comissão de Justiça da Câmara dos Estados Unidos, sobre o processo de impeachment de Bill Clinton por ter mentido no caso Monica Lewinsky.

“Isso depende do significado da palavra ‘é’. Se ‘é’ significa ‘é’, e nunca foi, isso é uma coisa. Se isso significa ‘nunca houve’, o depoimento foi absolutamente verdadeiro.”
Clinton, enrolando-se para justificar na Justiça os contraditórios depoimentos negando ter feito sexo com Monica.

“Eu tive um relacionamento com a senhorita Lewinsky que não foi apropriado.”
Clinton
, admitindo na televisão o caso com Monica.

 “Posso me esconder debaixo da mesa?”
Monica Lewinsky, ao júri de instrução, ao ser perguntada se tentou consumar uma relação com penetração com Clinton.

“Bom, eu queria... eu tentei... eu coloquei os genitais dele perto dos meus.”
Idem, respondendo à pergunta sobre penetração.

“Que gosto bom.”
Bill Clinton, ao pôr na boca o charuto que antes passou pelo corpo de Monica.

“Ela é uma boa garota, com um bom coração e uma boa cabeça, mas foi apunhalada pelas costas por Linda Tripp.”
Clinton, sobre Monica, em depoimento ao júri de instrução.

“Eu pensava que ele tinha uma alma bonita. Eu o achava incrível. Olhava para ele e via um garotinho. Ele sempre me fazia sorrir quando estava do meu lado. Ele era um raio de sol.”
Monica, ao júri de instrução, sobre Clinton.

“Por que eles têm de tirar você de mim?”
Clinton, ao saber que a estagiária seria transferida da Casa Branca para o Pentágono.
“A detenção de Pinochet é moralmente justa, legalmente questionável e politicamente poderia criar muitos problemas dentro do Chile.”
Fidel Castro, presidente cubano, sobre a detenção de Augusto Pinochet na Inglaterra.

“Ele está velho, fraco e doente.”
Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra inglesa, pedindo ao governo inglês a libertação de Pinochet.

“Os fuzilamentos ordenados por meu pai foram justos porque não executaram pessoas, e sim animais.”
Augusto Pinochet Hiriart, filho do ex-ditador chileno.

“É quase desnecessário dizer que o ato de torturar seus próprios cidadãos ou estrangeiros não deve ser visto pelas leis internacionais como função de um chefe de Estado.”
Donald Nicholls, ao votar na Câmara dos Lordes contra a concessão de imunidade de chefe de Estado a Pinochet.

“O capitalismo é uma força que avança mas não se sabe para onde.”
Lionel Jospin, primeiro-ministro francês.

“Não creio que vocês possam desafiar as regras da economia global mais do que eu poderia desafiar a lei da gravidade.”
Bill Clinton, presidente americano, em palestra na Rússia.

“O que fizemos de errado?”
Michel Camdessus, diretor do FMI, sobre a crise financeira mundial.


“Por que não correr riscos? Eles sabiam que seriam resgatados se algo desse errado.”
Milton Friedman, economista e prêmio Nobel, sobre a crise nos países asiáticos.

“Eu preferiria ter meu dinheiro aplicado em ações na Indonésia.”
Paul Krugman, economista e professor do MIT, errando ao prever um crash na Bolsa de Nova York.

“Existem dois tipos de gente que perde dinheiro: aqueles que não sabem nada e aqueles que sabem tudo.”
Henry Kaufman, investidor e guru do mercado financeiro americano, sobre a quebra do LTCM, fundo dirigido por dois prêmios Nobel de Economia, Myron Scholes e Robert Merton.

“Agora a gente percebe como se escreveram tantos livros bobos sobre o Japão e a Ásia.”
James Tobin, prêmio Nobel e professor da Universidade de Yale.

 “Foi um sério erro de discernimento de minha parte.”
Ron Davies, ministro inglês, ao anunciar sua renúncia depois de ter sido assaltado por garotos de programa num ponto de encontro de homossexuais em Londres.

“Chris Smith é abertamente gay e Peter Mandelson certamente é gay.”
Matthew Parris
, jornalista inglês, sobre os ministros da Cultura e da Indústria e Comércio.

“Diga-nos a verdade, Tony: estamos sendo governados por uma máfia gay?”
Manchete do jornal sensacionalista The Sun, dirigida ao primeiro-ministro Tony Blair.
“Não é à toa que os grandes empresários dizem que negociar com Bill Gates é como ter um encontro com Mike Tyson: há sérios riscos de sofrer um estupro.”
Wendy Goldman Rohm, jornalista especializada em informática, no livro The Microsoft File.

Rir é o Melhor Remédio

“Não venham para o Brasil, porque vocês vão perder dinheiro. Mais cedo ou mais tarde, vamos recuperar a soberania nacional.”
João Pedro Stedile, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, em recado aos investidores estrangeiros durante seminário em Viena.

“Oposição é como cachimbo. Nasceu pra levar fumo.”
Deputado José Lourenço, do PFL-BA.

“Não há como me esconder desse conde Drácula.”
John Glenn, senador e astronauta americano de 77 anos, referindo-se ao médico da missão espacial, que de tempos a tempos tirava mostras de seu sangue para exame.

“A gente estamos trabalhando numa proposta.”
Maria Cristina de Morais, professora, presidente da Andes, sobre a greve nas universidades.

“Deus é negro.”
Gílio Felício, bispo auxiliar de Salvador.

 “Não gosto de ser mandado.”
Chico Anysio, humorista, sobre o fim de seu casamento com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello.

“Eu acho que a monogamia é uma violência, é antinatureza. Você vê muito raramente na natureza a monogamia.”
Ciro Gomes, candidato derrotado do PPS à Presidência, em entrevista à revista Marie Claire.

“Fui criado mamando vodca!”
Mikhail Baryshnikov, bailarino russo, em Salvador, respondendo aos que o alertavam para moderar na caipirinha.

“Jesus não agradou a todos. Não é eu que vou agradar.”
Carla Perez, dançarina, em entrevista na televisão.

“Minha vida deu uma guinada de 360 graus.”
Adriane Galisteu, modelo, sobre seu noivado com o publicitário Roberto Justus.

“Um país de Terceiro Mundo prestes a chegar ao Segundo, naturalmente.”
Vera Loyola, emergente carioca, descrevendo o Brasil.

“A Ana Paula Arosio é tão linda que todas as atrizes da Globo deveriam ir para casa cortar os pulsos.”
Guilherme Karam, ator, na festa de lançamento da minissérie Hilda Furacão.

“Ninguém é bonito naquela família. Só o Luciano. Nada contra eles, nem a favor, mas, se minha filha tiver de parecer com alguém ali, que seja com o Luciano.”
Xuxa
, sobre a família de Luciano Szafir, pai de sua filha.

“Vou mandar fazer exame de DNA para ver se sou mesmo avô dessa criança.”
Gabriel Szafir
, pai de Luciano.


“Recomendamos que as crianças ensinem seus pais a usar os micros.”
Nicholas Negroponte, escritor americano, autor de A Vida Digital.

“Quando se constrói a bomba atômica o que se está dizendo é: eu sou adulto, eu deixei de ser criança.”
Enéas, candidato derrotado do Prona à Presidência, defendendo a produção da bomba brasileira.

“A bomba atômica é o Viagra dos energúmenos.”
Alfredo Sirkis, candidato derrotado do PV à Presidência da República.

“Pensei que você ia me dizer que vinha visitar o filho da Xuxa. Aliás, eu não tive nada com isso.”
Fernando Henrique Cardoso, presidente da República, para o colega argentino Carlos Menem, que ligou para saudá-lo pela privatização da Telebrás.

“Nem eu!”
Carlos Menem, respondendo a FHC.

“Eu tenho linha direta com Deus.”
Francisco Rossi, do PDT, antes de ser derrotado nas eleições para o governo de São Paulo.


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